Nem a nova Lei que entrou em vigor consegue fazer a paixão do povo brasileiro pela cerveja diminuir. A regra chegou para ficar, mas você pode continuar a consumir bebidas alcoólicas sem infringir a Lei

Amamata acabou para quem era acostumado – mal acostumado, na verdade – a tomar uma cervejinha e ir para casa ou qualquer outro lugar depois. O problema não está em ir para casa, mas sim, no fato de dirigir. Como a conscientização não aconteceu naturalmente, uma nova Lei foi elaborada e aprovada, sem qualquer tipo de pesquisa de opinião ou debate. A Lei 11.705, mais conhecida como Lei Seca, foi implantada em todo o país desde o dia 20 de junho e não tolera a presença do álcool em praticamente nenhuma quantidade no sangue do condutor. É, isso quer dizer que depois da balada, assumir o volante, nem pensar! Até porque a medida mínima permitida pelo bafômetro é de 0,1 mg de álcool, por assoprada no aparelho.

Wyn Lounge & Japanese ArtDepois dessa, os hábitos de alguns – para não dizer muitos – festeiros motoristas estão mudando. Um dos sócios da casa noturna curitibana Wyn Lounge & Japanese Art, Fabrício Maggi, acha que o consumo de bebidas alcoólicas não irá diminuir. Maggi acredita que o que vai mudar é a consciência das pessoas.

“O consumo vai passar a ser mais responsável, deixando quem não bebeu dirigir ou usar um táxi” – Fabrício Maggi, Wyn Lounge & Japanese Art

Já para a responsável por canais especiais do Grupo Schincariol no Paraná e Mato Grosso do Sul, Ammanda Macedo, a Lei Seca vai interferir no mercado de vendas de bebida em massa. No caso das cervejas, por exemplo, mais especificamente, no comércio das cervejas populares.

“Como o consumo é em massa, as Pilseners (populares) podem sofrer uma queda nas vendas. Agora, as cervejas premium, eu acredito que não deve mudar muita coisa, porque as pessoas que consomem esse tipo de cerveja não costumam beber em excesso” – Ammanda Macedo, Canais Especiais Grupo Schincariol PR-MS

pic2.jpgO cervejólogo belga e proprietário da loja e restaurante Belgian Beer Paradise – especializada em importação de cervejas belgas – no Rio de Janeiro (RJ), Xavier Depuydt, classifica a Lei como sem sentido. Para ele, existem outras prioridades no Brasil.

“Eu acho um exagero e essa lei não vai solucionar problemas básicos como a educação. Se cada cidadão brasileiro recebesse uma educação digna, conseqüentemente, ele seria mais consciente dos perigos da bebida alcoólica” – Xavier Depuydt, Belgian Beer Paradise

Quanto aos clientes, Xavier diz estar tranqüilo, pois, segundo ele, a maioria sempre foi muito responsável, porque esse público não bebe quantidade, mas qualidade.

Punições

A Lei coloca que a quantidade de bebida no sangue permitida é zero. Mas, para deixar uma margem de erro, a polícia foi orientada para que trabalhe com 0,1mg por litro de sangue, afinal, existem outras coisas que levam o álcool na sua fórmula, mas que não podem ser dispensadas, como remédios e, lógico, os doces! A questão é: um copo da tão querida amiga cervejinha já pode causar prejuízo e superar o limite permitido, aí é multa na certa e a carteira de habilitação é suspensa por um ano. Acima dos 0,1 mg permitidos, a multa continua e a suspensão da carteira também, só que a ingestão da bebida é vista como crime e, portanto, o motorista corre o risco de ir preso.

Mathias Oefelein, advogadoO advogado Mathias Oefelein, natural de Munique, na Alemanha – atualmente cidadão paulista – julga a Lei como uma medida muito radical, mas que pode surtir efeito e sucesso se for bem aplicada pela polícia.

“Tem muitas leis que não estão sendo respeitadas. O álcool causa muitos acidentes no Brasil e somente o controle pela polícia vai conseguir mudar os costumes” – Mathias Oefelein, advogado no Brasil e na Alemanha

Em comparação com a Alemanha, Oefelein diz que lá o limite é mais brando, mas em compensação, a fiscalização é muito mais forte.

Alternativas

A Lei Seca veio como uma medida drástica para reforçar o que há muito tempo já é dito, mas pouco respeitado: que álcool e direção não são uma combinação perfeita, como cerveja e a final de um campeonato importantíssimo do seu time. E é bom respeitar. Afinal, se estiver visivelmente alterado, o motorista “bebum” pode ir parar atrás das grades do mesmo jeito. Mas, como para tudo se dá um jeito, a alternativa mais procurada e segura acaba sendo o táxi, que oferece segurança e você pode beber o que tiver vontade tranquilamente. Outro método seguro é fazer revezamento, como faz o casal curitibano Paulo Signori Filho e Thaylise Galle. Nos dias em que decidem sair, um deles consome bebida alcoólica e o outro não.

“É mais seguro um beber e o outro se responsabilizar em dirigir. Já quando nós dois saímos para beber, ligamos para o 0800 do táxi na volta” – Thaylise Galle, entrevistada

Já para quem aprecia as cervejas gourmets uma solução é comprar a bebida em lojas especializadas e consumir em casa, tranquilamente. Pois aí não há perigo de acontecer qualquer acidente – pelo menos, nenhum automobilístico.

A cerveja não precisa ser trocada por água ou algum soft drink. É possível continuar saindo, sim, e ingerindo álcool. O único cuidado necessário e impreterível está em pilotar. Adotando as medidas certas, você pode continuar a sair tranqüilo por aí e tomar todas as cervejas que tem direito, com segurança, é claro.

Agora, mesmo a Lei tendo sido aprovada sem a opinião de ninguém, nós é que queremos saber:

Qual é a sua opinião sobre a implantação da Lei Seca?