Desde 1995 trabalhando com cervejas especiais

Visionário do segmento das cervejas especiais no Brasil, Marcelo Moss trabalha no mercado cervejeiro desde 1995. Foi um dos fundadores da cervejaria Baden Baden e acreditava como muitos que o universo das cervejas se limitava, segundo ele mesmo, “ao líquido sem graça das grandes marcas”.

Atualmente o paulista formado em Hotelaria com pós-graduação em Gestão de Negócios em Alimentação e membro da Master Brewers Association of America, é proprietário do Bar Hops em Campos do Jordão (SP), palestrante, consultor e também jurado em concursos de cerveja caseira, como o que elegeu a Dama do Lago da Eisenbahn.

Confira um pouco da sua história.

Uma das criações de Moss, o Bar Hops em Campos do Jordão (SP)

1. Como e onde começou seu contato com a cerveja?

Em meados da década de 90 quando um amigo do meu pai queria abrir um Brew On Premises (local que oferece equipamentos para que o próprio cliente faça sua própria cerveja) no Brasil. Na verdade ele estava quase 20 anos adiantado pois este é um negócio que acredito que poderá ser viável daqui a 5 ou 10 anos. De qualquer forma até aquela época eu não gostava de cerveja porque acreditava que tudo se limitava ao líquido sem graça das grandes marcas. Ainda tendo em vista o Brew On Premises fui para os EUA e lá, além de aprender a fazer cerveja de forma artesanal, tive contato com um universo incrivelmente vasto de outras cervejas e me apaixonei. Lembro até hoje da primeira ESB* que eu tomei.

*Estilo de cerveja: Extra Special Bitter.

2. Como surgiu a idéia de montar uma cervejaria? E por que fabricar sua própria cerveja?

A cervejaria foi o resultado de um momento histórico propício. Na verdade decidi abrir o tal do Brew On Premises, no Ibirapuera em São Paulo. Chamava-se The Beer Store. É lógico que não deu certo. Mas lá, além da experiência com cerveja, fabricação e venda, conheci o Aldo e Beto, que importavam uma excelente cerveja inglesa chamada Spitfire (uma bitter ale). Eles vendiam essa cerveja para mim e também para o Vasco, dono do restaurante Baden Baden. Quando eu já tinha fechado a The Beer Store o dólar disparou e a cerveja que eles traziam começou a ficar inviável em termos de custo. Então os três tiveram a idéia de montar uma fábrica para fazer uma cerveja naquele estilo. Como eu era um dos poucos malucos na época que tinha uma vaga noção do que era uma microcervejaria eles me convidaram para a sociedade.

3. Como foi a receptividade do consumidor à novidade? O sucesso foi o esperado?

Depois que acertamos a cerveja, e nisso a participação do mestre-cervejeiro Carlos Hauser foi fundamental, a cerveja foi um sucesso, maior até do que esperávamos. Mas este sucesso foi devido a três fatores fundamentais:

  1. Um mix adequado de cervejas que variava desde uma pilsen suave para não assustar os curiosos, até uma cerveja ousada como a Red Ale.
  2. O público de Campos do Jordão, mais favorável a novidades e menos ligado a preço.
  3. E o pioneirismo em fazer o que eu chamo de marketing de colherzinha, ou seja, explicar quase um a um o que estávamos fazendo.  Normalmente as visitas em fábrica são apresentações sobre a própria marca. Fomos os primeiros a ter uma palestra que de fato explicava sobre cerveja, desde sua história até tipos e estilos, passando por fabricação e ingredientes. Praticamente só não falávamos da própria marca.

4. E atualmente, como está o mercado das cervejas gourmet no Brasil?

Vem crescendo, embora mais lentamente do que poderia. Existe muita gente nova no mercado, tanto produtores quanto importadores, mas que ainda estão dividindo uma fatia pequena. É necessário que haja uma união no sentido de ampliar este mercado, antes de concorrer uns contra os outros, senão vão ficar lutando por migalhas. União no sentido de ampliar a mente do consumidor para novos paladares e, sobretudo informar a esse consumidor sobre o que está tomando.

5. Como surgiu a idéia de abrir o Bar Hops?

Eu participei bastante da fábrica no início e depois me afastei um pouco, por diversas razões. Mas adoro trabalhar com cerveja e por isso quis oferecer ao público um local onde realmente pudesse conhecer mais sobre cerveja.

6. O Bar Hops trabalha atualmente com quantas cervejas? Quais são seus objetivos? Expandir ainda mais estas opções?

Em julho chegamos a ter 15 chopes diferentes até 80 rótulos em garrafa. Por mim trabalharia com todos os rótulos, mas Campos do Jordão é extremamente sazonal, o que torna um problema o estoque de um produto tão perecível.

7. Você também foi jurado do Concurso Mestre Cervejeiro Caseiro, promovido pela Eisenbahn, o qual elegeu a Dama do Lago como vencedora. Como estava o nível do concurso? Isto demonstra que o paladar dos brasileiros está apurado em relação às cervejas gourmet? E que novidades estão por vir?

O nível estava bom e havia algumas cervejas excelentes. Acredito que o próximo que vai acontecer agora em 6 de dezembro estará ainda melhor. Estive no Minas Bier Fest e lá havia um stand da associação dos cervejeiros caseiros de Minas com excelentes produtos também. Acho que isso demonstra que existe um grupo forte de vanguarda na área e isso é bom. Mas ainda há muito o que fazer em relação ao grande público, no intuito de reduzirmos o número de Zecas Pagodinho**.

**Referindo-se aos consumidores de cervejas de sabor massificado.