Com mais de 8 mil cervejarias artesanais, os Estados Unidos é um dos principais polos cervejeiros do mundo. Com uma diversidade de rótulos e estilos a um custo acessível, os americanos têm um mercado maduro, com alto investimento em tecnologia e pesquisas. Além de produzir grande parte dos insumos utilizados para produção, atualmente, como exemplo a região de Yakima Valley, no estado de Washington, é a maior região produtora de lúpulo nos EUA, responsável por 75% do plantio no país.

E para discutir sobre mercado e roteiros cervejeiros americanos, convidamos Gabriel di Martino e Silvio Carnevale. Abra a sua cerveja artesanal preferida e embarque com a gente pelo mundo cervejeiro neste bate-papo, mediado por Daniel Wolff, CEO e fundador da rede.

cena cervejeira nos Estados Unidos
Existem mais de 8 mil cervejarias artesanais nos EUA

A qualidade é o foco na produção de cerveja

Com experiência em grandes e micro cervejarias no Brasil, EUA e Alemanha, Gabriel di Martino ingressou em 2009 no mundo das cervejas artesanais como cervejeiro caseiro, quando não tinha quase nenhuma informação sobre o segmento no Brasil. Em 2016 foi aos Estados Unidos para estudar e depois retornou para trabalhar, em San Diego, na Califórnia. Ele ressaltou que durante a sua experiência no país percebeu que o americano leva muito a sério produzir cervejas artesanais, pois o “mercado já está bem desenvolvido, maduro em consumo e os trabalhadores (da indústria cervejeira) são mais instruídos e informados, além da questão cultural”, afirma. 

De acordo com Gabriel di Martino, no mercado americano não existe amadorismo e há grandes investimentos em tecnologia, com plantações desenvolvidas, estudo do lúpulo e pesquisas de campo. “Já participei de colheita de lúpulo. Colhe em outubro e dezembro já está nas cervejarias. O frescor é diferente, eles fazem muitos estudos de leveduras. Dedicam muita energia e tecnologia para desenvolver matéria-prima. O americano quando vai montar uma cervejaria compra um microscópio e monta um laboratório para fazer a cerveja perfeita”, complementa o sommelier, que também é conhecido por criar a receita do rótulo Therezópolis Jade, no estilo India Pale Ale (IPA), da cervejaria Sankt Gallen. 

Cerveja sem álcool é uma tendência

A Lei Seca americana é intolerante. Por causa disso, o cidadão americano criou o hábito de consumir mais cervejas sem álcool, sendo que também é uma tendência na Europa. “O mercado cresceu muito e a tecnologia da cerveja sem álcool está evoluindo para a experiência sensorial ser a mesma com a cerveja com álcool. Quem puder também experimentar as cervejas espanholas, elas são ótimas referências neste sentido”, explica di Martino. Outra tendência, que cresceu nos últimos tempos nos Estados Unidos, é a produção de cervejas sem álcool com infusão de cannabis, conhecida como a planta da Maconha, que é liberada em mais da metade dos estados norte-americanos. A regra é que estas cervejas não sejam alcoólicas. Inclusive algumas fórmulas que usam na composição princípios ativos da maconha, como CBC (canabidiol) e o THC, podem ter efeitos específicos e que ainda estão sendo estudados, como, por exemplo, deixar a pessoa mais agitada ou calma. “Keith Villa, criador da receita da Blue Moon, da Miller Coors, tem um projeto no Colorado de uma cervejaria que produz, exclusivamente, cervejas com THC”, explica Wolff

Rotas de Viagens Cervejeiras pelos Estados Unidos

Mas além do mercado incrível de cervejas artesanais que os Estados Unidos oferece, com uma grande variedade de rótulos, o país também é uma ótima opção para quem quer viajar e conhecer mais sobre a cultura cervejeira. Silvio Carnevale, gerente Nacional de Conhecimento Cervejeiro, que trabalha com conhecimento e ecossistema cervejeiro na ZX Ventures, braço da Ambev para mercados disruptivos, deu algumas dicas de roteiros imperdíveis em diversas cidades americanas. “A beleza destas viagens nos EUA, é isso, é quase infinito. Hoje são mais de 8 mil cervejarias e roteiro é o que não falta”, comenta. 

Para quem pretende ir conhecer as cervejas artesanais americanas, Silvio indicou um roteiro cervejeiro na costa leste. Entre os destinos citados, está a Flórida, principalmente a cidade de Tampa, que conta com muitas cervejarias icônicas como, por exemplo, a Cigar City. “Eles tem um festival que acontece todos os anos, o Tampa Beer Week, que é um evento com muitas cervejarias incríveis”, sugere.

Outros locais que devem estar no roteiro são a cidade de Nova York e a região de New England. “Dá para fazer uma viagem cervejeira só no Brooklin (NY) e ficar uma semana. Você vai se divertir muito”. Ele também sugere uma pequena cidade chamada Asheville, na Carolina do Norte, que tem um dos melhores IDH dos EUA, além de Chicago, que tem o maior número de cervejarias em uma mesma região metropolitana, com as mais incríveis dos EUA. “Fazer tour gastronômico e cervejeiro em Chicago não perde para qualquer lugar do mundo. Tem muita diversidade. Só não recomendo ir no frio”, brinca o gestor.

Mas por que nos últimos anos a costa leste cresceu em produção de cerveja artesanal? Segundo Carnevale, as cervejarias da costa oeste entenderam que por questões de logística, também fazia sentido ter fábricas na costa leste. Dessa forma as marcas atingiam mais consumidores, com um custo mais baixo e com facilidade de dsitribuição. “Várias cervejarias icônicas da costa oeste se instalaram na costa leste e difundiram a cultura da cerveja local, e no entorno das cidades, começaram a abrir brewpubs”.

Já para quem pretende ir para a costa oeste, a parada obrigatória é a Califórnia. O estado conta com história de cerveja artesanal muito forte e diversas cervejarias muito expressivas no mercado como Modern Times, Sierra Nevada, Stone, Anderson Valley e muitas outras. Para quem está buscando montar um roteiro cervejeiro nos EUA, o gerente de conhecimento cervejeiro, dá mais uma dica: procure pelos festivais. “A revista Viper sempre lista os 10 lugares cervejeiros mais quentes dos EUA”, recomenda.

Outras tendências de bebidas alcoólicas

Algumas bebidas milenares estão ressurgindo, como o hidromel e a sidra, e já são a sensação em diversos países. “A onda já começou a chegar no Brasil”, é o que afirma Silvio Carnevale. Em Miami, o consumo do hidromel está crescendo com uma proposta de uma bebida sofisticada, em garrafas charmosas. “Assim como a sidra, o hidromel veio com o movimento artesanal. As sidras parecem simples no Brasil, a bebida carrega preconceito por parte dos consumidores, que acham que é uma bebida de segunda linha, mas existe uma infinidade de sidras de qualidade, feitas em barris, por exemplo”.

Outra bebida que também é tendência é a água com gás alcoólica. “Houve um resgate muito forte de cerveja artesanal, está tendo o resgate da sidra e do hidromel, e a água com gás alcoólica é algo totalmente novo”, complementa Daniel Wolff, da Mestre-Cervejeiro.com. E complementa, “temos muito que aprender e seguir de tendências na gastronomia em geral que acontece no mercado americano, isso só ajuda o nosso mercado crescer ainda mais”.

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Esse artigo foi extraído do conteúdo apresentado nos Happy Hour Virtuais da Mestre-Cervejeiro.com. Acompanhe pelo perfil do Instagram @mestrecervejeiro as próximas lives.